
No ar mais uma coluna ‘Politicando’, com os principais fatos da sempre animada (ou quase sempre) cena política de Santa Cruz do Capibaribe.
Bolsonarização – A nova configuração política do grupo Boca-Preta de Santa Cruz do Capibaribe leva muitos a crerem em um alinhamento definitivo e cada vez mais contundente, do projeto liderado pelo deputado estadual Edson Vieira e a ex-deputada Alessandra Vieira com o que representa o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro.
Maioria – Formado historicamente por figuras políticas representantes da direita pernambucana, o grupo Boca-Preta sempre teve a maior parte dos líderes, bem como, dos eleitores, simpáticos ao projeto bolsonarista.
Não é de hoje – Mesmo quando evitaram declarar apoio abertamente a Bolsonaro, como aconteceu na campanha presidencial de 2018, Edson e Alessandra viram um significativo número de eleitores e correligionários seus envolvidos na campanha do então candidato ao Palácio do Planalto.
Reprise – Em 2022 o quadro se desenhava semelhante ao que havia ocorrido em 2018, com Edson e Alessandra novamente neutros na disputa presidencial, mesmo que, mais uma vez, seu eleitorado estando pesadamente engajado na campanha de Jair Bolsonaro, agora candidato à reeleição.
Porém, com um final diferente – E assim ocorreu, só que dessa vez, apenas no primeiro turno da eleição. Quatro anos após permanecerem em cima do muro por dois turnos, Edson e Alessandra resolveram declarar apoio a Bolsonaro, de olho, claro, nos lucros políticos que eles poderiam ter de imediato, mas principalmente, em eleições futuras.
O final dessa história todos conhecem – Em 30 de outubro de 2022, Lula derrotou Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial e pôs fim, assim, ao seu sonho de presidir a nação por mais quatro anos… Para muitos, um verdadeiro livramento para o país.
A dúvida – Em Santa Cruz do Capibaribe a dúvida agora era: Edson e Alessandra seguiriam empunhando a bandeira bolsonarista, ou voltariam a caminhar em cima do muro?
A prova – Alguns meses se passaram até que no último mês de outubro, mais precisamente no dia 12, Alessandra deu uma prova inequívoca que o seu espírito bolsonarista estava mais vivo que nunca.
O efeito – Uma foto ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi o suficiente para incendiar os bastidores do grupo Boca-Preta, a imagem deixou alguns insatisfeitos, na bronca com a imagem e os elogios rasgados por Alessandra na legenda da mesma, no entanto, a maior parte dos comentários de partidários foi de apoio, muitos, inclusive, entusiasmados.
Pra todo mundo ver – Naquele dia, naquele feriado, ficou claro qual caminho a família Vieira pretendia seguir e a ideologia bolsonarista não dividiria mais espaço de decisões com os esquerdistas que ainda seguem alinhados aos direcionamentos políticos/eleitorais de Edson e Alessandra.
Não é bem assim… – Mas, uma coisa é Edson e Alessandra ‘bolsonarizarem’ o grupo Boca-Preta, outra coisa, completamente diferente, é afirmar que os mesmos atraíram para si o apoio daqueles que se dizem ‘direitistas convictos’. Esses, são de ideologia mais cristalizada e nas últimas eleições deram apoio aos projetos eleitorais de Allan Carneiro, tanto em 2020, quanto em 2022.
Carneiro ligado – Allan ‘O Carneiro’ (apesar de jurar que não é candidato em 24) monitora todos os movimentos dos bolsonaristas santa-cruzenses, tendo, inclusive, participado de reuniões com o presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, com o deputado estadual Abimael Santos, e nomes do PL local, com destaque para Adilson ‘Bolsonaro’, que trabalha para selar a aliança do grupo Verde com o PL.
A articulação – Allan chegou a articular a ida de Dida de Nan para o PL, o que ‘amarraria’ de uma vez por todas o PL na chapa Verde de 2024, mas a coisa não andou, a filiação foi adiada, adiada e adiada mais uma vez, o que teria irritado a cúpula do PL pernambucano.
A titubeada – Aparentemente o grupo de Allan ‘O Carneiro’, quer muito os votos bolsonaristas, mas não quer ir pro PL, já Edson Vieira, para garantir a viabilidade eleitoral de Alessandra (provável candidata a prefeita), faz o que for preciso, e vai para o que for preciso, nesse caso, o PL.
Quem viver verá – O que parecia impossível até bem pouco tempo, pode se tornar realidade em 2024… Figuras como, a vereadora Jéssyca Cavalcanti, o ex-secretário Joselito Pedro e a recém-eleita conselheira tutelar Letícia Cavalcanti, votarem no 22, em uma campanha que terá cara, cores, jeito e estampa do Bolsonarismo.
Decisão certa – O vereador Gilson Julião revelou ao editor da coluna seu sentimento, neste momento, diante tudo o que acontece no grupo Boca-Preta. “Sem sombra de dúvidas estou muito tranquilo com a decisão que tomei, pois vejo que não haveria como conciliar aquilo que penso e defendo, com as ideias bolsonaristas. Não sei com que cara algumas pessoas que estão lá irão às ruas em 2024, defender um projeto que vai de encontro a tudo o que eles discordam, seja no campo político, social ou humanitário”, disse ele.
Historia x interesses – “Definitivamente não vale tudo por um mandato… Não vale a pena você enterrar uma história de lutas, princípios, entendimentos e conceitos, apenas para apoiar os interesses de alguém, que a bem da verdade, não se importa com suas bandeiras de luta, empunhadas por toda sua trajetória”, falou Gilson Julião.
E para finalizar, perguntar não ofende: Quem tem mais moral junto aos bolsonaristas de alta patente em Pernambuco, Robson Ferreira (o renegado) ou Adilson (o Bolsonaro)?
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