Por Bruno Bezerra

Uma postagem recente que fiz sobre a atividade confeccionista no Cariri paraibano gerou uma excelente repercussão na Paraíba e em Pernambuco. Recebi várias mensagens pelo Instagram e pelo WhatsApp comentando o tema e sugerindo que eu continuasse tratando da relação econômica entre o Cariri paraibano e o Polo de Confecções do Agreste Pernambucano.
Pois bem, aqui vamos nós.
Depois da minha participação na audiência pública da Assembleia Legislativa da Paraíba, realizada no município do Congo-PB, sobre o fortalecimento do setor de confecções na região, conversei com técnicos da Sefaz-PE sobre um dos temas mais importantes dessa conexão produtiva: a escassez de costureiras no Agreste pernambucano e a crescente procura pela terceirização da produção no Cariri paraibano.
Esse é um ponto estratégico. Santa Cruz do Capibaribe e outras cidades do Polo enfrentam uma dificuldade cada vez maior para encontrar mão de obra na costura. Ao mesmo tempo, municípios do Cariri paraibano já possuem vocação, proximidade geográfica e pessoas dispostas a atuar na atividade confeccionista. Ou seja, existe uma integração natural entre as duas regiões.

Entretanto, como se não bastasse a falta de segurança nas estradas, há duas barreiras que precisam ser enfrentadas. A primeira é a necessidade de um olhar mais desenvolvimentista por parte do fisco paraibano, especialmente em relação aos pequenos produtores que circulam na região. A segunda é a necessidade de um ajuste na Sistemática de Tecidos e Confecções de Pernambuco, que, na forma como hoje é aplicada, não permite que indústrias de confecções credenciadas terceirizem parte da produção em outro estado.
Neste artigo, vamos focar na barreira pernambucana. Na prática, essa limitação dificulta a vida dos confeccionistas pernambucanos, reduz a capacidade de produção das empresas e impede que o Polo aproveite melhor uma região vizinha que já está integrada à sua dinâmica econômica. Ao mesmo tempo, também limita o avanço do Cariri paraibano, que poderia gerar mais trabalho, renda e desenvolvimento a partir dessa relação produtiva.
Na conversa com os técnicos da Sefaz-PE, relatei todo esse contexto. Expliquei que não se trata de enfraquecer Pernambuco, mas de fortalecer a capacidade produtiva do Polo de Confecções, criando condições para que as empresas pernambucanas possam crescer, atender melhor ao mercado e manter sua competitividade.
A boa notícia é que, compreendido o contexto, os técnicos avaliaram que não haveria grande dificuldade em ajustar a Sistemática de Pernambuco para permitir a terceirização da produção de confecções em cidades do Cariri paraibano, especialmente pela proximidade geográfica, pela vocação produtiva da região e pela relação econômica que já existe entre os dois territórios.
Esse é um debate que precisa avançar com responsabilidade, diálogo institucional e visão estratégica. O Polo de Confecções do Agreste Pernambucano não pode ser limitado por uma barreira que, na prática, impede sua própria expansão produtiva. E o Cariri paraibano não pode ser ignorado ou visto como concorrente, mas sim como uma região parceira, integrada e capaz de ajudar a fortalecer toda nossa atividade confeccionista.
O futuro do Polo passa também pela capacidade de enxergar além das fronteiras administrativas e eliminar burocracias que fazem todos saírem perdendo. O fato é: a economia real já se movimenta fortemente entre o Agreste de Pernambuco e o Cariri da Paraíba. Agora, é preciso que as regras acompanhem essa realidade promissora.















