
As gameleiras (Ficus gomelleira), símbolos vivos da história de Santa Cruz do Capibaribe, ganharam um novo capítulo na tarde de sexta-feira, 24 de abril. Em um gesto de preservação da memória e da natureza, uma nova muda foi plantada no canteiro central da Avenida Padre Zuzinha (Rua Grande), ocupando o espaço deixado por uma árvore que morreu recentemente.
Uma tradição de seis gerações

O plantio das gameleiras é uma herança que remonta ao início do século XIX. Iniciada por João Balbino por volta de 1800, a tradição foi levada adiante por seus filhos, os irmãos Raimundo e Zuza Balbino, e hoje alcança a sexta geração da família.
O ato contou com a presença de descendentes diretos de Seu Raimundo, como Luiz Carlos, Dona Cleide, Agda e Pedrinho, além de Carlinhos e Seu Romeu Balbino, reafirmando o compromisso histórico da família com o patrimônio arbóreo da cidade.
Educação ambiental e arte



O evento foi mais do que um plantio; transformou-se em uma aula prática de educação ambiental para estudantes do 5º ano da Escola Municipal Lucinalva Aragão. Acompanhados pelas professoras Ana Paula e Stephany, e pela profissional de apoio Carla, os alunos puderam aprender sobre a importância do florestamento urbano e da história local.
O momento também foi marcado por manifestações culturais:
- Arte e Memória: A artista Agda apresentou seu quadro intitulado “O capibara lembrando as gameleiras”. A obra resgata memórias afetivas vividas sob as sombras das árvores, como as “catolocas” que vendiam louças de barro, a antiga televisão comunitária, o Rio Capibaribe e outras figuras icônicas da cidade.
- Mobilização Social: O plantio foi idealizado pelo ativista cultural e ambiental Luiz Carlos e Agda, contando com o apoio fundamental do Coletivo Chocalho, da AMA (Associação Mata Atlântica) e dos professores Leonardo e Almeida.
O legado continua

A ação reforça a identidade de Santa Cruz do Capibaribe, unindo a preservação do meio ambiente ao respeito pelas raízes históricas. Para os organizadores, plantar uma gameleira é garantir que as futuras gerações continuem a ter essas árvores como “companheiras de infância”, mantendo viva a sombra que acolheu a cidade por mais de dois séculos.
















