Impasse na Federação União Progressista: Eduardo da Fonte ameaça “independência” e Miguel Coelho cobra resposta do PP

Os bastidores políticos de Pernambuco fervem com a indefinição sobre quem ocupará a vaga de pré-candidato ao Senado na chapa majoritária da governadora Raquel Lyra (PSD). A disputa entre o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) ganhou novos capítulos que misturam pressão partidária, ameaça de isolamento eleitoral e cálculos rigorosos sobre o tempo de televisão na propaganda eleitoral.

Cabo de guerra em Brasília e votação estadual

Na última segunda-feira (6), a governadora Raquel Lyra esteve em Brasília reunida com os presidentes nacionais do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda. O objetivo era destravar a indicação ao Senado pela Federação União Progressista. No encontro, Raquel sinalizou forte preferência por Miguel Coelho, que conta com o respaldo direto de Rueda.

O grande impasse político reside no fato de que, na semana passada, a executiva estadual da federação realizou uma votação e referendou formalmente o nome de Eduardo da Fonte para o posto.

Ameaça de “independência” e o impacto na TV

Nesta quarta-feira (8), Eduardo da Fonte, que também preside a Federação União Progressista no estado, elevou o tom em conversas de bastidores com deputados do PP. Ele confidenciou que, caso Raquel Lyra recuse seu nome na chapa majoritária, o grupo deverá optar pela “independência” na disputa pelo Governo do Estado.

“Não vou apoiar João Campos. Vamos fazer nossa campanha só para a eleição proporcional de forma a garantir uma forte bancada estadual e federal”, cravou Da Fonte a um parlamentar.

Uma eventual declaração de independência traria reflexos práticos e jurídicos para a campanha:

  • Palpites e Eventos: Os deputados do PP poderiam continuar acompanhando Raquel Lyra e pedindo votos para ela em agendas de rua e eventos públicos.
  • Veto na TV: Os parlamentares ficariam expressamente proibidos de aparecer no guia eleitoral de televisão pedindo votos para a governadora.

O cálculo do guia eleitoral

A perda do apoio formal da Federação União Progressista — que detém o peso de 106 deputados federais — atingiria o tempo de TV de Raquel Lyra, reduzindo sua propaganda para pouco mais de 30% do total disponível. Em contrapartida, o prefeito do Recife e pré-candidato ao governo, João Campos (PSB), que já conta com o apoio da Federação PT/PV/PCdoB (89 deputados), ficaria com perto de 50% do tempo total.

O prejuízo de Raquel só não seria devastador porque a legislação eleitoral determina que o tempo de rádio e TV de partidos ou federações sem candidato ao governo (como o PL e a própria União Progressista, caso fique independente) deve ser distribuído equitativamente entre as coligações majoritárias. Assim, mesmo sem o apoio oficial, Raquel herdaria uma fatia considerável desses tempos, embora a maior parcela do bolo geral ainda permaneça com João Campos.

Miguel Coelho cobra o PP na Fenearte: “O silêncio também é resposta”

Nesta quarta-feira (8), durante a Fenearte, em Olinda, Miguel Coelho conversou com a imprensa antes da chegada da governadora e subiu a pressão sobre os progressistas. Ele assegurou que conduziu as negociações de forma transparente e cobrou uma postura definitiva do PP, lembrando que o prazo de 48 horas solicitado pela legenda para responder ao convite de Raquel Lyra estava se esgotando.

Para Miguel, a falta de um posicionamento oficial já deve ser interpretada pela chefe do Executivo como uma sinalização política para que ela monte a chapa sem mais delongas.

“Pediram um tempo para pensar, 48 horas. Deixa passar o prazo para saber o que é que vai fazer. Mas também, se não tiver resposta, é a resposta. Você pede um tempo para pensar e não responde, o silêncio também é uma resposta. Isso vai legitimar ela tomar a decisão e as medidas que precisam ser tomadas”, disparou o dirigente do União Brasil.

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