
Um relatório técnico produzido pelo Centro Integrado de Inteligência de Defesa Social (CIIDS), vinculado à Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS), tornou-se o novo epicentro da crise política entre a governadora Raquel Lyra e o presidente da Assembleia Legislativa (Alepe), Álvaro Porto. O documento, datado de 1º de abril de 2026, associa diretamente o parlamentar ao ambiente de risco enfrentado pelo jornalista Manoel Medeiros, ex-assessor do Palácio do Campo das Princesas e peça central nas denúncias sobre um suposto “gabinete do ódio”.
Origem e conteúdo do Relatório
A investigação da inteligência estadual aponta que os desentendimentos com Álvaro Porto foram as principais circunstâncias que levaram Medeiros a solicitar proteção policial e medidas protetivas. O relatório detalha a trajetória do jornalista, que trabalhou por 11 anos com a vice-governadora Priscila Krause antes de ocupar cargos estratégicos na atual gestão, como secretário executivo de Informações Estratégicas.
O embate público começou em agosto de 2025, quando Porto acusou Medeiros de comandar uma “milícia digital” para atacar opositores, baseando-se em imagens que mostravam o assessor em uma lan house no Recife. Após pedir exoneração, Medeiros admitiu ter feito denúncias anônimas como “exercício de cidadania” e acusou a Alepe de promover uma “arapongagem” ilegal contra sua vida pessoal.
Monitoramento de Álvaro Porto e Rotina do Jornalista
O que mais gerou desconforto político foi o nível de detalhamento do relatório sobre o presidente da Alepe. A inteligência da SDS levantou informações sensíveis sobre o deputado, incluindo:
- Armamento: O registro de cinco armas de fogo, sendo três pistolas, uma espingarda e um revólver.
- Histórico Legal: A listagem de 33 processos judiciais e três registros policiais relacionados a crimes de ameaça.
Simultaneamente, o documento mapeou a rotina de Manoel Medeiros, descrevendo seus horários de caminhada no Parque da Jaqueira e frequências à academia, além de ressaltar que ele não possui veículo blindado ou segurança privada.
Contradições e suspeitas de uso político
Apesar do levantamento detalhado, órgãos de segurança apresentaram conclusões divergentes sobre o perigo real. A Polícia Militar e a Secretaria de Administração Penitenciária informaram oficialmente que não identificaram ameaças concretas ou planos criminosos contra o jornalista. Essa discrepância alimentou críticas de que a estrutura de inteligência do Estado estaria sendo usada como ferramenta de pressão política contra adversários do Executivo.
Posicionamento do Governo
Em nota, a Secretaria de Defesa Social afirmou que o relatório seguiu protocolos técnicos e foi elaborado após solicitação do Ministério Público de Pernambuco para avaliar a concessão de segurança ao jornalista. O governo destacou que o procedimento é padrão e que o pedido de proteção foi, ao final, indeferido por não preencher os requisitos necessários. A gestão Raquel Lyra reiterou que suas atividades de segurança seguem princípios de legalidade e transparência.















