
A edição do programa Rádio Debate, da Rádio Polo, desta sexta-feira (18), foi marcada pela análise do racha político dentro do grupo da direita em Santa Cruz do Capibaribe. A bancada repercutiu duas matérias publicadas pelo Blog Agreste Notícia, trazendo versões opostas do vereador Adilson Vitorino (PL) e do deputado estadual Abimael Santos (PL) sobre os motivos do rompimento e da migração de apoio do vereador para a candidatura de Edson Vieira (Podemos) à Alepe.
Versão de Adilson Vitorino: “Salto alto” e “migué” do fundo partidário

Em entrevista ao portal, Adilson Vitorino afirmou que a decisão de afastar o grupo conservador de Abimael ocorreu após uma declaração do parlamentar no início do processo eleitoral:
“Abimael chegou para o grupo da direita no começo da campanha e disse: ‘eu já estou eleito, que estaria entre os 10 no estado de Pernambuco, eu não preciso dos votos da equipe da direita e não vou colocar um real aqui nos movimentos de direita, não vou colocar um real. Se vocês quiserem votar em mim, beleza; senão, vida que segue”, relatou o vereador.
Adilson também questionou a alegação de Abimael de que o fundo partidário do PL teria sido bloqueado ou reduzido pela cúpula após a presença de Edson Vieira e Gilson Machado em cima de um trio de som da direita:
“Ele não queria contribuir com os movimentos da direita e disse que o fundo partidário dele foi cortado porque naquele dia Edson e Gilson subiram no reboque. Só que depois eu vi no fundo partidário dele que tem R$ 420 mil. Então não foi cortado, foi só um ‘migué’ que ele deu para sair do movimento da gente”, disparou Adilson.
Ao responder sobre posicionamentos anteriores em relação ao Podemos e a Gilson Machado, Adilson esclareceu que o grupo da direita está liberado para apoiar a postulação de Gilson ao Senado ou à Câmara Federal, mantendo o voto pessoal em Edílson Tavares (PP) para federal.
Versão de Abimael Santos: Denúncia de pedido de R$ 200 mil e disputas de palanque

Em contrapartida, o deputado estadual Abimael Santos rebateu veementemente as declarações de Adilson. O parlamentar negou ter dispensado o apoio do eleitorado de direita e acusou o vereador de ter cobrado uma quantia em dinheiro para manter a aliança política:
“O Adilson Bolsonaro pediu R$ 200 mil a mim para poder fazer a campanha de deputado. Eu disse que iria mandar pelo partido R$ 250 mil para a campanha dele, só que ele disse que não, que era R$ 200 mil pra ele. Não era pra fazer a campanha dele para deputado federal. E eu disse que não trabalhava desse jeito”, afirmou o deputado.
Segundo Abimael, a mesma exigência financeira teria sido feita ao pré-candidato a deputado federal apoiado por ele, Coronel Meira:
“Como é que eu dou R$ 200 mil a um cara pra me apoiar, sendo que eu fiz o cara vereador, arrumei partido, gastei com o cara, alinhei eu e Meira, arrumei recurso pro cara e, na hora da eleição, o cara diz que só vai fazer por R$ 200 mil?”, questionou Abimael, acrescentando que Meira recusou a proposta.
Custeio de eventos e presença de adversários
Abimael relatou ainda episódios de desentendimento no uso de trios e carretas de som (“Exibida”) financiados por ele em atos do município:
- Bloqueio de palanque: Deputado alega que Adilson teria dado ordem para impedi-lo de subir na estrutura em um dos eventos com Mendonça Filho, mesmo tendo pago o equipamento;
- Uso por outros grupos: No evento seguinte, enquanto cumpria agenda em Belo Jardim, Abimael e Meira custearam a estrutura e afirmaram ter ficado contrariados com a presença de Gilson Machado e Edson Vieira em cima do trio.
“Eu disse: meu irmão, quero mais não. Coronel Meira disse: desse jeito não dá não. Eu pagando e o cara faz biquinho pra mim não subir, aí eu pago e eles botam Gilson e Edson pra cima”, concluiu Abimael, sugerindo a existência de acordos prévios nos bastidores.
Outros destaques do programa
Além da ruidosa troca de acusações no bloco político local, a bancada do Rádio Debate repercutiu:
- Pesquisa DataTrends (2º Turno em Santa Cruz do Capibaribe): Apontou Flávio Bolsonaro (39%) e Lula (36%) em empate técnico no município;
- Pesquisa Revista Total (Governo de Pernambuco): Mostrou João Campos (46,78%) e Raquel Lyra (42,61%) empatados na margem de erro;
- Aprovação de Contas: Decisão do TCE-PE que aprovou as contas de 2024 do ex-prefeito e candidato a deputado estadual Fábio Aragão (PSD), completando 100% de aprovação de seu mandato.
Ouça ou assista o programa completo abaixo.















