Por Bruno Bezerra
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Recentemente, escrevi um artigo sobre a arrecadação de ICMS em Pernambuco no mês de junho de 2025, um período que revelou números expressivos, evidenciando a força do Agreste e o protagonismo do setor têxtil e de confecções no Estado. No texto, comentei sobre o percentual do setor têxtil e de confecções na arrecadação de ICMS do município de Santa Cruz do Capibaribe-PE. Foi aí que algumas pessoas me sugeriram falar um pouco mais sobre esse assunto e incluir Toritama e Caruaru em uma nova pesquisa.
Aqui vamos nós, mostrar de forma clara e objetiva os percentuais do setor têxtil e de confecções na composição da arrecadação total de ICMS dos três principais municípios do Polo de Confecções do Agreste. Teremos como base para essa análise a arrecadação de ICMS do mês de junho de 2025, que nos permite enxergar com nitidez o peso do setor têxtil e de confecções na economia do Agreste pernambucano e, em particular, nos municípios de Toritama, Santa Cruz do Capibaribe e Caruaru.
Em Toritama, 84% de toda a arrecadação de ICMS do mês de junho veio do setor têxtil e de confecções. Em Santa Cruz do Capibaribe, esse percentual foi de 68,3%. Já em Caruaru, município com uma economia mais diversificada, a participação do setor foi de 16,9%. Esses dados evidenciam a força da indústria da moda no Agreste pernambucano, mas também revelam um elevado grau de dependência econômica que Toritama e Santa Cruz mantêm em relação à atividade têxtil e confeccionista.

Nesses dois municípios, a moda não é apenas relevante, ela é o principal pilar da dinâmica econômica local. É certo que não tem nenhuma novidade nisso. Contudo, tamanha dependência também representa vulnerabilidade: oscilações de mercado, mudanças de comportamento do consumidor ou transformações tecnológicas podem afetar profundamente a estabilidade dessas economias. Por isso, embora a moda continue sendo o motor central, estratégias de diversificação produtiva são essenciais para ampliar a resiliência econômica de Toritama e Santa Cruz frente aos desafios do futuro.
Já Caruaru, com 16,9% de sua arrecadação ligada ao têxtil, demonstra um perfil bem mais diversificado, com comércio, serviços e saúde ganhando cada vez mais espaço. No entanto, o desafio de Caruaru é outro: encontrar equilíbrio entre essa diversificação e o fortalecimento de setores estratégicos para não diluir sua competitividade regional. Em comum, as três cidades enfrentam o desafio de inovar, qualificar mão de obra e garantir sustentabilidade para manter o Agreste pernambucano como um dos maiores polos de moda do Brasil.
Mais do que percentuais, esses números traduzem a alma econômica de uma região empreendedora que transforma desafios em oportunidades, trabalho e identidade cultural. Fortalecer o polo é investir no futuro de milhares de famílias e na permanência do Agreste no mapa da moda nacional.
















