15 de julho de 2020

PF deflagra ‘Operação Escaparate’ no agreste de Pernambuco

Investigação aponta ex-gerente de banco em Santa Cruz do Capibaribe como líder de organização criminosa

Na manhã desta quarta-feira (15), a Polícia Federal em Caruaru deflagrou a Operação Escaparate (3ª Fase da Operação Impunitas), com a finalidade de dar cumprimento a um  mandado de prisão preventiva, um mandado de busca e apreensão, bloqueios de contas bancárias de 11 pessoas, sequestro de bens e afastamento de sigilo fiscal de nove, além da intimação de oito pessoas identificadas como supostos “laranjas”.

Os mandados estão sendo cumpridos nas cidades de Surubim e região. As investigações foram iniciadas em março de 2019 e tinham por objetivo descortinar uma organização criminosa instalada na agência do Banco do Nordeste em Santa Cruz do Capibaribe, especializada na prática crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato e lavagem de dinheiro.

Os trabalhos iniciais resultaram na deflagração das duas primeiras fases da Operação Impunitas, em junho e setembro do ano passado, quando foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva, além do bloqueio de valores e sequestro de bens dos investigados, e culminaram com a identificação do líder, o ex-gerente da agência do Banco do Nordeste em Santa Cruz do Capibaribe, Alexandre Hissa, no indiciamento de 30 (trinta) pessoas por envolvimento nas práticas criminosas investigadas e na identificação de fraudes que resultaram em prejuízos financeiros aos cofres públicos superiores a 10.000.000,00 (dez milhões de reais).

Na ocasião, constatou-se, que na condição de então gerente da agência do Banco do Nordeste em Santa Cruz, Alexandre Hissa, foi o responsável pela prática de atos de gestão fraudulenta na instituição que facilitaram o acesso dos demais integrantes do grupo criminoso a altas somas de valores em espécie decorrentes de operações de créditos espúrias, subsidiadas por documentos produzidos com essa finalidade.

A maior parte dos valores disponibilizados pelo banco eram destinados ao líder do grupo e seus comparsas mais próximos.

As análises das quebras dos sigilos bancários dos investigados apontaram que, entre os anos de 2016 e 2020, eles movimentaram valores da ordem de R$ 379.401.538,36 (trezentos e setenta e nove milhões de reais, quatrocentos e um mil e quinhentos e trinto e oito reais e trinta e seis centavos).

Dos valores obtidos fraudulentamente pelos investigados, pelo menos R$ 19.989,079,50 (dezenove milhões, novecentos e oitenta e nove mil, setenta e nove reais e cinquenta centavos), tiveram origem no Fundo Constitucional de Desenvolvimento ao Nordeste, recursos que deveriam ser destinados ao desenvolvimento do Nordeste, por meio da concessão de créditos às micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais. 

A manutenção dos trabalhos de investigação, iniciados ainda no mês de março de 2019, levaram a Polícia Federal a constatar o gerente (já denunciado pelo Ministério Público Federal), continuava a praticar os mesmos crimes, desta feita, junto a outra instituição financeira, no caso, a agência do Banco Itaú no município de Santa Cruz do Capibaribe.

Os novos atos delitivos vieram à tona através do recebimento de dados do COAF, apontando que, no período de 01/10/2019 a 08/04/2020, ou seja, após o término das duas primeiras fases da investigação, o suspeito movimentou o valor de R$ 4.012.208,00 (quatro milhões, duzentos e oito mil), através de fracionamento de valores entre contas de sua titularidade e de novas empresas, consideradas de fachada, com a finalidade de dissimular a origem ilícita dos recursos. 

As investigações continuam em curso para apurar a participação de terceiros, além da prática de outros crimes, sendo possível afirmar que já há elementos substanciais que denotam a existência de mais crimes de lavagem de dinheiro, crimes contra o SFN e desvios de recursos públicos, de forma que continuam em análise novas medidas a serem executadas em breve.

Postado por: Janielson Santos

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